Squirting e outros mitos sexuais desmistificados

Squirting and Other Sex Misconceptions, Debunked

Ah, o corpo humano. É belo, poderoso e, muitas vezes, um autêntico mistério. Apesar de vivermos numa era que parece sexualmente libertadora, muitos de nós ainda alimentam ideias erradas sobre o que acontece entre quatro paredes. Hoje, vamos mergulhar a fundo nalguns dos mitos mais persistentes sobre os nossos corpos e o prazer, começando pelo fenómeno, tantas vezes incompreendido, do squirting. 💦

A verdade sobre o squirting: o que está realmente a acontecer?

Vamos esclarecer uma coisa desde já: o squirting é absolutamente real. De acordo com um estudo marcante baseado num inquérito representativo a nível nacional nos EUA, cerca de 40% das mulheres já experimentaram o squirting pelo menos uma vez na vida. Mas o que acontece exatamente quando alguém faz squirting?

Durante anos, a grande questão foi: "É apenas urina?" A resposta é mais complexa do que um simples sim ou não.

Num estudo fascinante de 2022, os investigadores esvaziaram as bexigas de várias mulheres com um cateter, injetaram nelas um corante azul e, depois, recolheram o fluido libertado durante o squirting sob estimulação sexual. O fluido continha o corante azul, confirmando que vinha da bexiga, mas, curiosamente, também continha fluido das glândulas de Skene.

Portanto, embora o fluido do squirting contenha alguns componentes da urina, não é apenas urina. Como explicou o Dr. Devon J. Hensel, investigador principal do estudo: "Existem algumas semelhanças na composição do fluido, mas definitivamente não é apenas xixi."

O fluido contém frequentemente o antigénio específico da próstata (PSA), que é produzido pelas glândulas de Skene (por vezes chamadas de próstata feminina). E, como muitos que já o experimentaram podem atestar, o fluido não tem o aspeto, o cheiro ou o sabor da urina.

Mitos comuns sobre o squirting

Mito 1: O squirting não é real; é apenas algo inventado para o porno.

Realidade: Como já estabelecemos, o squirting é uma resposta fisiológica absolutamente real. Um estudo de 1984 descobriu que 54% das mulheres já tinham experienciado uma "expulsão orgásmica de fluido" pelo menos uma vez, e um estudo mais recente de 2017 revelou que 69% das mulheres entre os 18 e os 39 anos já tinham experienciado ejaculação durante o orgasmo.

Mito 2: Squirting e ejaculação feminina são a mesma coisa.

Realidade: Embora os termos sejam frequentemente usados como sinónimos, algumas investigações distinguem os dois. O squirting refere-se tipicamente à libertação de um fluido transparente e incolor em maiores quantidades, enquanto a ejaculação feminina descreve a libertação de uma quantidade menor de um fluido esbranquiçado com componentes semelhantes aos do sémen. E sim, ambos podem acontecer em simultâneo!

Mito 3: Todas as mulheres conseguem fazer squirting com a estimulação certa.

Realidade: Embora muitas mulheres consigam fazer squirting, nem todas o farão. A investigação sugere que entre 10% e 54% das mulheres podem experienciar ejaculação feminina durante o orgasmo, e um estudo recente sugere que até 69% das mulheres podem fazer squirting durante o sexo. Os corpos são maravilhosamente diversos e a sua resposta sexual é unicamente sua.

Mito 4: O squirting acontece sempre durante o orgasmo.

Realidade: Não necessariamente! Ao contrário do que o porno teatral (e muitas vezes falso) possa levar a crer, nem todas as pessoas que conseguem fazer squirting o fazem enquanto atingem o orgasmo. Às vezes acontece antes, durante ou depois do orgasmo, e algumas pessoas que têm orgasmos satisfatórios nunca chegam a fazer squirting.

Para além do squirting: mais mitos sexuais desmistificados

Já que estamos em modo "caçadores de mitos", vamos abordar alguns outros equívocos sexuais comuns:

O método do "coito interrompido" é fiável

Muitas pessoas acreditam que retirar o pénis antes da ejaculação é um método contracetivo eficaz, mas a realidade é menos tranquilizadora. Embora o coito interrompido possa reduzir o risco de gravidez quando feito corretamente, tem apenas cerca de 78% de eficácia e pode ser difícil de executar no calor do momento.

Mesmo quando realizado na perfeição, este método tem uma taxa de falha de 4%. Para comparação, os preservativos têm uma taxa de falha de 2%. Além disso, o líquido pré-ejaculatório pode conter espermatozoides. Sim, isso significa que pode engravidar mesmo que o seu parceiro se retire antes de ejacular! 🙃

Todas as mulheres atingem o orgasmo apenas através da penetração

Eis outro mito persistente que precisa de ser desmistificado: os estudos indicam que quase 75% das mulheres não atingem o orgasmo apenas através do sexo vaginal. De acordo com um estudo recente publicado no Journal of Sex and Marital Therapy, quase 37% das mulheres afirmaram precisar de outro tipo de estimulação durante o ato sexual para atingir o clímax.

O clítoris é frequentemente o protagonista quando se trata de prazer, com muitas mulheres a necessitarem de estimulação clitoridiana direta ou indireta para chegar ao orgasmo. Cada corpo é diferente, por isso explore o que funciona para si e para o seu parceiro, em vez de seguir um guião do que acha que "deveria" acontecer.

O sexo tem de ser espontâneo para ser bom

Muitos casais preocupam-se quando a paixão espontânea do início do romance começa a esmorecer. Mas aqui está a verdade: o sexo não tem de ser espontâneo para ser fantástico! Quando a novidade de uma relação passa e começamos a lidar com o stress e as responsabilidades diárias, a probabilidade do chamado sexo espontâneo diminui naturalmente.

Pense em tratar o sexo como qualquer outra atividade valorizada (preparar uma refeição especial, ir de férias, praticar o seu hobby favorito); para que todas estas coisas aconteçam, é preciso planear, agendar e garantir que o tsunami de tarefas pendentes não interfere. Planear a intimidade pode, na verdade, criar antecipação e levar a encontros mais satisfatórios.

A libido desaparece inevitavelmente em relações de longa duração

Este é um daqueles mitos que se podem tornar uma profecia autorrealizável. Embora seja uma tendência comum, não é inevitável. Muitas vezes, é o sentimento de passividade que leva as relações a um estado de ausência de sexo.

Na sua investigação com parceiros de longa data que afirmavam ter "sexo fantástico", a investigadora sexual Peggy Kleinplatz descobriu que oito fatores principais estavam presentes: capacidade de estar presente, promoção da ligação, criação de intimidade profunda, comunicação extraordinária, exploração e aceitação de riscos interpessoais, autenticidade, vulnerabilidade e transcendência. Repare como nenhum destes fatores tem a ver com a duração da relação; tudo se resume à intenção e à comunicação.

O seu parceiro deve "simplesmente saber" o que você quer

Adoramos a fantasia de um parceiro que compreende intuitivamente todos os nossos desejos, mas, na realidade, a ideia de um "amante perfeito" que simplesmente "conhece" o seu corpo e lhe proporciona orgasmos é uma fantasia que impede as pessoas de assumirem a responsabilidade pelo seu próprio prazer.

Uma comunicação clara é a chave para uma vida sexual gratificante. Falar sobre o que quer pode parecer estranho ao início, mas é o caminho mais direto para o prazer e para a ligação. O seu parceiro não lê mentes (infelizmente!), por isso use as palavras. 💬

Como explorar o squirting (se tiver curiosidade)

Se está intrigada com o squirting e quer explorar este potencial aspeto da sua sexualidade, aqui ficam algumas dicas:

Crie um ambiente descontraído: preparar o espaço pode ajudar. Colocar toalhas ou uma manta impermeável facilita a limpeza e elimina a preocupação de sujar tudo.

Mantenha-se hidratada: estar bem hidratada pode não ajudar diretamente a fazer squirting, mas torna mais fácil a lubrificação natural e melhora o fluxo sanguíneo, o que é crucial para atingir o orgasmo.

Foque-se no ponto G: tente estimular o ponto G, que se localiza a cerca de 1-3 polegadas (2,5 a 7,5 cm) dentro da vagina, na parede frontal. Aplicar uma pressão suave enquanto pressiona simultaneamente a parte inferior do abdómen com a outra mão pode ajudar.

Combine com estimulação clitoridiana: de acordo com a coach sexual certificada Gigi Engle, o squirting "geralmente provém da estimulação do ponto G, ou da estimulação dual do clítoris e do ponto G".

Relaxe e liberte: uma das chaves para conseguir fazer squirting é ter o pavimento pélvico confortável e relaxado. Pense em tentar expulsar algo enquanto está tensa; não acontece. Esqueça as expectativas e foque-se apenas no prazer.

Considere um brinquedo: existem muitos dispositivos inteligentes concebidos especificamente para atingir o ponto G e proporcionar o tipo de estimulação que pode levar ao squirting.

Lembre-se que não é o objetivo final: pode ter orgasmos incríveis e sexo fantástico sem o grande "repuxo". A capacidade ou incapacidade do seu corpo de expelir líquido não a define e, certamente, não significa que não possa ter uma vida sexual totalmente gratificante e excitante.

Considerações Finais

Os nossos corpos são sistemas incríveis e complexos, e as nossas respostas sexuais são igualmente variadas e únicas. Quer faça squirting ou não, quer atinja o orgasmo através da penetração ou precise de estimulação clitoridiana, quer prefira encontros espontâneos ou sessões de paixão planeadas, tudo é perfeitamente normal.

A chave para uma vida sexual plena não é atingir um padrão arbitrário de "normalidade", mas sim compreender o seu próprio corpo, comunicar abertamente com os parceiros e focar-se no que lhe traz prazer e ligação. Vamos deixar os mitos para trás e abraçar a bela diversidade da sexualidade humana. ✨

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Perguntas Frequentes: Mais mitos sexuais desmistificados

P: É possível engravidar durante o período menstrual?

R: Sim. Embora a conceção seja mais provável quando o ato sexual ocorre alguns dias antes ou durante a ovulação, ainda é possível engravidar durante o período. Os espermatozoides podem sobreviver no corpo feminino até cinco dias, se as condições forem favoráveis.

P: Fazer uma ducha vaginal após o sexo previne a gravidez?

R: Não. Tomar banho ou fazer uma ducha vaginal após o sexo NÃO previne a gravidez.

P: A masturbação é prejudicial?

R: De forma alguma! Na verdade, a maioria da literatura e investigação atual diz exatamente o oposto. A masturbação pode ser muito benéfica, especialmente se estivermos numa relação. Ajuda a conhecer o seu corpo e do que gosta, o que pode depois comunicar ao seu parceiro.

P: Os homens pensam realmente em sexo a cada 7 segundos?

R: Um estudo de 2011 no Journal of Sex Research desmistificou este mito. Os resultados revelaram que os homens pensam em sexo muito menos do que se imagina, com uma média de cerca de 19 pensamentos sexuais por dia, em vez dos quase 8.000 pensamentos diários que ocorreriam se estivessem realmente a pensar em sexo a cada sete segundos.

P: Ter relações sexuais dentro de água previne a gravidez?

R: Ter sexo numa piscina NÃO previne a gravidez. A água não elimina nem mata os espermatozoides, e pode definitivamente engravidar dentro de água.

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